Ontem a noite não conseguia dormir, a televisão ligada sem o mínimo da minha atenção, quando vi por acaso que estava começando um filme brasileiro, de inicio pensei que fosse "A dona da história" mas não, era "Primo Basílio", como estava no inicio e o sono não vinha, resolvi assistir, já que não me lembrava nada do livro que li no colegial, obrigada, pra fazer prova. Eu juro que AMEI, recomendo, e me fez pensar sobre um assunto: a inocência de acreditar que fazer sexo é sinônimo de amar. Sempre existe um momento na vida que fazemos essa passagem, da inocência a realidade, comigo aconteceu algumas vezes, de início era que eu só beijaria quem eu realmente amasse, com coisa que eu sabia o que era amar nos meus 10, 11 anos, época que os meninos da escola tentavam alguma aproximação (não pela minha beleza, mas pelos meus peitos grandes que eu sei), lembro uma vez que disse pro amigo de um fulaninho (por que o mesmo não tinha coragem pra chegar, então mandava o amigo) que "eu não ia 'ficar' com ele por que não o amava" (HAHAHAH!) dai a resposta dele foi básica "diz a ela que eu também não a amo, só quero um beijo", com isso surgiu minha reflexão sobre o amor e o físico, me lembro que eu era bem romântica, procurava o significado desse sentimento em filmes, músicas, até no dicionário, me inspirava na personagem 'Bianca' de "A megera domada" de Shakespeare, hoje sou mais feliz como Catarina mesmo, objetiva e direta em relação a sentimentos. Minha época de Bianca foi curta, logo esqueci do amor e suas drogas, e resolvi dar meu primeiro beijo com um desconhecido, alguém que eu nunca mais iria ver, e assim foi, sem aquela chatice de ficar escrevendo na agenda, esperando migalhas de atenção no dia seguinte. Com o passar do tempo, digo fielmente que a vida é meu maior work shop quando se trata de relacionamentos (óbvio), mas não somente a minha, observo o sofrimento dos outros e tento ao máximo não cometer os erros explícitos que alguns comentem, portanto não me julgo uma expert, nunca tive um caso intenso de amor doentio (obrigada, Deus), nem juntei as escovas de dentes com alguém, digamos que minha paciência é curta quando percebo que não sou compatível com o escolhido, e caio fora, não parto pra outra não, porque aprendi que é muito melhor estar só do que com um energúmeno, então, tomo ciência do que me convém e tento não desgastar tanto meu emocional. Com meus poucos "relacionamentos" de 1 mês de duração cada, absorvi o que a vida quis me mostrar, e assim, deixar o amor pra quando ele realmente existir, claro que até então nunca o conheci, mas digamos que eu aproveito o lado físico que me impuseram. Eu nunca, NUNCA, tive a inocência de achar que sexo estava ligado ao amor, nem mesmo na minha primeira vez.
Eu achava que tinha de ser com alguém de quem eu gostasse e que tivesse algum significado, mas não fantasiei dessa vez o amor, acabou que também não aconteceu com alguém significativo, um namorado muito do sem graça, terminamos uma semana depois, não sofri e não me arrependi, porque se tivesse esperando o "príncipe" ainda seria virgem aos meus 22 anos, e quem sabe até os 30, 40, 50, porque nossas idealizações de homem perfeito, serão sempre desleais, coisas que Hollywood implanta em nosso cérebro, como um chip de romantismo barato. Ainda me deparo muito com pessoas (na maioria mulheres) com a ideia errada, e infelizmente em raríssimos casos, sexo é igual a amor. No filme que citei (Primo Basílio) existe um exemplo do que digo, mas era num momento mais antigo dos nossos costumes, onde o sexo casual era coisa de puta. Bom, ao verem o filme, entenderão, mas acontece que pessoas instruídas, viventes do século XXI, com toda a modernidade, liberdade e libertinagem, acreditam que vivem nos anos 50, ai sofre mas não sabe o porquê.
- Voila, à tout à l'heure.





